Rui Costa comenta Banco Master e venda da Cesta do Povo e reacende debate político na Bahia.
- há 4 dias
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Tem assunto na Bahia que não envelhece. Só espera o momento certo de voltar, como conversa de mesa de bar que nunca termina de verdade.
Desta vez, quem puxou o fio foi Rui Costa. Em entrevista ao BNews, o ex-governador comentou o caso envolvendo o Banco Master e voltou a falar sobre a venda da Cesta do Povo. Disse que a rede acumulava cerca de R$ 1 bilhão em prejuízos e que o Estado não tinha mais condições de sustentar a operação. Na mesma fala, atribuiu parte do contexto ao cenário econômico do governo Bolsonaro, sugerindo que as dificuldades se agravaram naquele período.

A fala é direta, quase técnica. Rui apresenta a decisão como inevitável, uma conta que já não fechava há anos. Quando diz que “não havia alternativa”, ele tenta colocar a venda no campo da necessidade, não da escolha.
Mas na Bahia, esse tipo de argumento sempre encontra memória.
Porque a Cesta do Povo nunca foi só um negócio. Era presença em bairros, rotina de compra, referência de preço. Quando Rui fala em prejuízo, muita gente lembra de outra coisa. Lembra de porta aberta, de produto mais barato, de um tempo em que o Estado ainda ocupava esse lugar no cotidiano.
E quando ele menciona o governo Bolsonaro como parte do problema, a fala ganha outro sentido. Não é apenas uma explicação econômica. É também uma disputa de narrativa, dessas que reorganizam responsabilidades conforme o tempo passa.
Não é a primeira vez que isso acontece por aqui. Decisões difíceis, anos depois, voltam em forma de explicação. E explicações, na política baiana, quase sempre dizem tanto sobre o presente quanto sobre o passado.
No fim, Rui tenta encerrar a conta. Mas na Bahia, certas contas continuam abertas, mesmo depois de pagas.








