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O Xadrez do Bonfim: A jogada invisível que está mudando o Senado na Bahia.

  • 10 de abr.
  • 2 min de leitura

Imagine que você está em uma mesa de pôquer onde as cartas não são apenas números, mas prefeituras, verbas federais e alianças de três décadas. Na Bahia, o jogo para o Senado Federal em 2026 já começou, mas o que você vê na superfície, as declarações oficiais e os apertos de mão, é apenas a fumaça. O fogo real está queimando em reuniões de portas fechadas, onde nomes que antes eram "unha e carne" agora mal se olham, e antigos rivais dividem o mesmo café.

Senador Angelo Coronel | Foto: Reprodução
Senador Angelo Coronel | Foto: Reprodução

Primeiro Acontecimento: A debandada silenciosa.

O cenário atual mostra uma movimentação atípica no tabuleiro baiano. Angelo Coronel (PSD), uma peça chave da base governista, começou a emitir sinais de fumaça que chegaram até a oposição. A notícia de que o União Brasil estaria de portas abertas para ele não é apenas um boato de corredor; é um sintoma de uma pressão interna na base de Jerônimo Rodrigues (PT). Por que um senador da base aliada flertaria com o grupo de ACM Neto? A resposta reside na matemática das vagas. Com duas cadeiras em disputa, o PT não quer abrir mão de Jaques Wagner, e nomes como o ministro Rui Costa surgem como forças gravitacionais que deixam pouco oxigênio para os demais.

Segundo Acontecimento: O avanço do "Exército Avante".

Enquanto os gigantes duelam, um personagem move suas peças com uma precisão cirúrgica no interior: Ronaldo Carletto. Após assumir o comando do Avante, ele não apenas mudou de partido; ele mudou a lógica de poder. Carletto tem "comido pelas beiradas", filiando prefeitos em massa e criando um cinturão de apoio que o torna indispensável. Ele não quer apenas ser um suplente, como foi em 2022. Ele quer o protagonismo. Ao mesmo tempo, na oposição, João Roma (PL) mantém sua base fiel, mas observa o movimento de figuras como Marcelo Nilo e Márcio Marinho (Republicanos), que buscam desesperadamente uma brecha na chapa majoritária de Neto.


A Conexão Invisível.

A conexão entre a insatisfação de Coronel e a ascensão de Carletto é um fenômeno que chamo de "A Revolta dos Coadjuvantes". Por anos, o cenário baiano foi polarizado entre o "Carlismo" e o "Petismo". No entanto, o que estamos vendo agora é a fragmentação desse binarismo. A conexão invisível é a gestão de prefeituras. Os pré-candidatos ao Senado descobriram que, em 2026, quem tiver o maior número de prefeitos não será apenas um aliado, mas o dono da carta que decide o jogo. Eles estão se movendo não por ideologia, mas por sobrevivência territorial.


Explicação Final Reveladora.

A grande revelação é que a eleição de 2026 para o Senado na Bahia não será decidida por quem é mais "Lula" ou mais "ACM Neto". Ela será decidida pelo vácuo. O PT enfrenta o dilema de ter "caciques demais para poucas vagas", o que pode empurrar aliados históricos para os braços da oposição sob a promessa de sobrevivência política. O que se espera não é uma campanha de propostas, mas uma guerra de lealdades testadas. Quem mudou de lado (ou ameaça mudar) não está traindo um grupo, está garantindo que não será atropelado pelo rolo compressor das candidaturas "naturais". No final das contas, o Senado na Bahia virou um leilão de prefeituras, e o martelo só vai bater quando o último prefeito assinar a ficha de filiação.

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