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Da expressão ao negócio: como a IDW e a Bahia estão reposicionando a cultura como estratégia no Brasil.

  • 14 de abr.
  • 2 min de leitura

Existe um novo comportamento em curso no Brasil. A cultura deixou de ser apenas expressão para se tornar método.


O encontro promovido pela IDW Company, em São Paulo, não é apenas mais um evento do setor. Ele sinaliza uma mudança mais profunda. Cultura, agora, aparece como eixo de decisão para marcas, investidores e projetos criativos.


A proposta do evento foi clara. Conectar artistas, empresas e agentes do mercado para discutir o futuro da indústria cultural não como entretenimento, mas como infraestrutura econômica e simbólica.

Esse movimento tem precedentes.


Nos anos 2000, a indústria cultural brasileira operava a partir da lógica da visibilidade. O objetivo era ocupar mídia. Nos anos 2010, com o digital, passou a buscar engajamento. Agora, o que se observa é outra camada. Cultura como estratégia de longo prazo, capaz de gerar comunidade, identidade e valor econômico simultaneamente.


A trajetória da própria IDW ajuda a explicar essa transição.


Fundada por Potyra Lavor e com liderança de Ana Amélia Nunes, a empresa nasce em Salvador e cresce operando na interseção entre música, experiência e posicionamento cultural. Em poucos anos, passa a articular projetos como o AFROPUNK Brasil e a produção do Club Renaissance, com Beyoncé, reposicionando a cidade no circuito global.

Potyra Lavor e Ana Amélia Nunes / Crédito: Matheus Leite
Potyra Lavor e Ana Amélia Nunes / Crédito: Matheus Leite

O padrão se repete. Não se trata apenas de trazer artistas internacionais. Trata-se de reorganizar fluxos culturais. Salvador deixa de ser periferia de consumo e volta a ser ponto de origem e curadoria.


Há um dado estrutural nessa operação. A IDW é formada majoritariamente por pessoas negras e liderada por mulheres. Isso não aparece como discurso, mas como método de criação.


No passado, diversidade era incorporada como estética. No presente, passa a ser arquitetura de decisão.

O impacto já é visível. Festivais como o AFROPUNK transformam público em comunidade e evento em plataforma contínua. Artistas internacionais não apenas visitam o Brasil. Eles passam a dialogar com contextos locais.


O futuro que se desenha é menos concentrado e mais distribuído.


A indústria cultural brasileira tende a funcionar como um sistema de redes, onde empresas como a IDW operam como mediadoras entre território, narrativa e mercado.


O que começou como produção de eventos se transforma em algo mais amplo.

Uma nova forma de organizar cultura. E, novamente, esse movimento não começa no eixo tradicional.


Começa na Bahia.

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