Bahia repete sua fórmula política... e talvez seja aí que a eleição de 2026 começa a ser entendida.
- Oris Caetano
- há 2 horas
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Tem coisa na política baiana que não precisa de anúncio oficial basta um movimento de bastidor para todo mundo entender o roteiro.
Nos últimos dias, as pré-candidaturas ao governo da Bahia começaram a ganhar contorno mais nítido. De um lado, ACM Neto volta ao jogo com uma composição que mira o equilíbrio clássico entre capital e interior. O prefeito de Jequié, Zé Cocá, surge como nome para vice. Do outro, o grupo governista mantém sua espinha dorsal. Jerônimo Rodrigues segue como candidato natural, com Geraldo Júnior preservado no arranjo.

Não é uma disputa que nasce do improviso. É quase uma reedição de uma lógica antiga, dessas que atravessam décadas sem precisar de explicação formal. Na Bahia, eleição majoritária raramente é só sobre nomes. É sobre território, influência e reconhecimento silencioso. Salvador pauta, mas o interior confirma.
A presença de Zé Cocá na chapa de Neto revela isso com clareza. Não se trata apenas de agregar um aliado, mas de ocupar simbolicamente o mapa. É como se a campanha já começasse dizendo que essa eleição será decidida fora da capital. E, historicamente, não é um argumento fraco.
Do lado governista, a permanência de Geraldo Júnior também carrega seu próprio recado. Em vez de redesenhar o cenário, a escolha aponta para estabilidade. Na política baiana, isso costuma ser menos sobre conforto e mais sobre estratégia. Mudar demais pode parecer ruptura. Manter pode significar continuidade de força.
No fundo, o que se desenha para 2026 é menos uma novidade e mais um reconhecimento. A política local segue operando dentro de códigos que o eleitor entende, mesmo sem acompanhar cada detalhe.
Porque, na Bahia, antes de surpreender, a eleição precisa fazer sentido.








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