Bahia e Vasco: o que as SAFs entregaram até agora.
- há 2 dias
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O jogo fora de campo: números, promessas e a conta que não fecha.
Rapaz, o futebol virou aquele primo que ganhou na loteria e de repente apareceu de carro novo, roupa de marca e discurso em inglês. Mas quando você senta pra conversar, percebe que ele ainda deve no mercadinho da esquina.
No Esporte Clube Bahia, a chegada do Grupo City em 2023 veio com promessa de estrutura europeia, scout afiado e investimento pesado. E não foi pouca coisa não. Segundo dados do Transfermarkt, o Bahia saiu de um elenco avaliado em cerca de €25 milhões em 2022 para mais de €70 milhões em 2025. Teve contratação de peso, folha salarial inflada e um elenco que, no papel, brigaria por coisa grande.
Mas futebol não é só planilha bonita. Em 2023, o Bahia brigou contra o rebaixamento até a última rodada do Brasileirão. Em 2024, deu uma respirada, ficou no meio da tabela, mas longe de empolgar. Em 2025, começou a mostrar mais organização, mas ainda com aquela sensação de time em construção eterna. Aquela obra que tem tapume bonito, mas o prédio mesmo ainda tá no alicerce.
Do outro lado, o Club de Regatas Vasco da Gama com a 777 Partners virou um roteiro de novela mexicana. Investimento alto no início, cerca de R$ 300 milhões prometidos, contratações em volume, mas sem muito critério. Resultado? Um elenco caro, desequilibrado e com desempenho irregular.
Em 2023, o Vasco escapou do rebaixamento no sufoco. Em 2024, continuou patinando, trocando técnico como quem troca de canal quando o jogo tá ruim. E em 2025, o cenário já era de desconfiança total da torcida com a gestão da 777, que enfrentou inclusive problemas financeiros fora do Brasil, levantando dúvidas sobre sua capacidade de sustentar o projeto.
Os números ajudam a contar essa história. Segundo o ge.globo e ESPN, o Vasco teve uma das piores relações custo-benefício do campeonato em 2023 e 2024. Gastou muito e entregou pouco. Já o Bahia, apesar de mais organizado, ainda não converteu o investimento em protagonismo esportivo.
O impacto no clube: evolução ou perda de identidade?
Agora vem a pergunta que dói mais que eliminação nos acréscimos. O torcedor ganhou um time melhor ou perdeu aquele vínculo raiz, de sofrer junto, de reconhecer o próprio clube no campo?
No Bahia, a coisa é mais sutil. O Grupo City trouxe profissionalismo, estrutura e uma visão de longo prazo que o clube nunca teve. Centro de treinamento melhorado, gestão mais moderna, contratações com base em dados. Tudo isso é avanço real, não dá pra negar.
Mas tem um porém. O torcedor tricolor ainda busca aquele Bahia com cara de Bahia. Aquele time que, mesmo limitado, tinha identidade clara, raça, um estilo reconhecível. Hoje, às vezes parece um braço de uma multinacional. Funciona melhor, mas emociona menos.
É como aquele restaurante que virou franquia. A comida continua boa, mas perdeu o tempero da dona Maria.
Já no Vasco, o sentimento é mais pesado. A 777 não só falhou em entregar resultados consistentes, como também mexeu numa ferida histórica do clube. O Vasco sempre foi resistência, identidade forte, história gigante. Quando entra um investidor que promete modernizar tudo e não entrega nem estabilidade, a frustração vira revolta.
O torcedor vascaíno hoje não questiona só o desempenho. Questiona o sentido. Pra onde o clube tá indo? Quem tá no comando de verdade? E principalmente, quem tá sentindo o peso daquela camisa?
Porque no fim das contas, futebol não é só investimento. Se fosse, time rico ganhava tudo e pronto. Futebol é pertencimento. É você olhar pro time e se ver ali dentro, mesmo que seja sofrendo.
O Bahia ainda tá tentando equilibrar essa equação. Tem mais chance de dar certo, porque o Grupo City, goste ou não, tem método e histórico. Mas precisa entender que não basta organizar a casa. Tem que manter o espírito.
O Vasco já vive um alerta mais sério. Porque quando o dinheiro entra sem direção e sem conexão com a alma do clube, o risco não é só perder jogo. É perder identidade.
E perder identidade no futebol é pior que cair pra Série B. Porque subir depois é possível. Mas reconquistar a alma… isso demora.








